Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
OCUPAMOS A 35ª POSIÇÃO NO RANKING MUNDIAL DOS PAÍSES MAIS CORRUPTOS...

PS só apresenta medidas de combate  após  uma reflexão serena (sem  pressas, pode ser que dê em nada. É bom que  ganhemos à Bósnia para ver se o  "people" se distrai, pelo menos até ao Verão do próximo ano)...

 

O líder parlamentar do PS disse que o "grupo de trabalho" do seu partido para a área da justiça vai analisar, com tempo (com tempo, está-se mesmo a ver. E o trabalho deve ser "trabalho de grupo"...), as propostas das outras bancadas sobre a corrupção.

 

«A nossa ideia é (já deviam ter tido essa ideia há séculos!): eu solicitei ao Dr. Vera Jardim para liderar um grupo de trabalho que vai ser amanhã, mesmo, constituído, no âmbito do nosso grupo parlamentar, para acompanhar todos estes processos, para avaliar as propostas oriundas de outros grupos parlamentares, para apresentar as suas próprias iniciativas que depois serão discutidas pelo grupo parlamentar e para se articular com as iniciativas que o Governo também já anunciou que vai apresentar neste domínio. Tudo isto com uma grande ponderação (pondere-se devagar, devagarinho, ao ritmo do sambinha "de uma nota só", com um chopinho no meio...), com a noção de que isto não é uma corrida contra o tempo (ah, pois não! Para quê correr contra o tempo, sobretudo, quando vocês andam tão anafados que nem cabem dentro dos vossos fatinhos Armani?), só os demagogos (pobres "demagogos"! Andam a pregar aos peixinhos há uma porrada de anos, chamando a atenção para a puta gananciosa, enquanto vocês olham para o lado, "distraídos". O vosso "camarada", João Cravinho andou a remar contra a maré - que é como quem diz, contra os irredutíveis do deixa estar como está, que está bem - , para depois o "calarem", oferecendo-lhe um lugarzinho bem  remunerado num banco inglês...)é que, neste momento, querem transformar isto numa corrida contra o tempo, com o preço que inevitavelmente daí resultará, que é algum desleixo (resumindo: para não haver desleixo, incapacidade e falta de seriedade para pegar a bicha, o ideal seria não chafurdar mais na lama em que andam atulhados, pois a lampreia, por mais escorregadia que seja, com vontade, acaba por ser pescada. Ao contrário das tainhas que andam à mamuja, ali à tona, as burras! Pescam-se algumas para entreter o zé pagode...)e alguma incapacidade de tratar com a devida seriedade assuntos que devem convocar, com a nossa absoluta seriedade (fosca-se, o gajo, ainda por cima, é uma nódoa a falar português! Eu sou semianalfabeto, mas reconheço que me exprimo bem melhor, "dasss"!)...»

 

Estes gajos, daqui por muitas legislaturas, hão-de continuar a discutir o problema da corrupção, num país onde está fortemente enraizada, não há como extirpá-la!...



publicado por JoaoRatao às 17:51
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
"FACE OCULTA"...

 

 

Passou o Verão de São Martinho, mas as castanhas continuam quentinhas e a estalar. Uma delas, entre tantas "embrulhadas" é o caso "Face Oculta".

Não faltam os ingredientes habituais: trocas acirradas de  acusações, suspeitas, insinuações e desaguisados entre  instituições, das quais era suposto vir o exemplo de  idoneidade e bom senso e da não envolvência em quezílias, nada abonatórias da sua credibilidade, perante uma opinião pública, há muito, saturada de tanta trica e futrica. 

Novelas diárias, em directo, nos telejornais, parangonas de jornais, tal o estado a que a loucura chegou. De permeio dois ministros parolos, com fome de mediatismo, sem terem sido recomendados por quem quer que fosse, a defenderem a sua dama, insurgindo-se contra as escutas telefónicas ao senhor PM, classificando-as de "espionagem política".

Imagens, no mínimo, grotescas a porem em causa o trabalho, o bom nome e a suposta imparcialidade dos órgãos que investigam estes casos e enfim, o costume que é como dizer - "neste país está tudo grosso", parafraseando a saudosa Ivone Silva...

 

Por alminha de quem, é que os políticos têm de estar de fora de qualquer processo judicial? As escutas telefónicas são legais ou não? Se são, porque diabo vem o Primeiro Ministro mostrar a sua indignação por terem sido gravadas conversas entre ele e o seu "amigo" Armando Vara? O que é que têm a esconder? Concordo que em toda esta chafurdice há sempre excessos como violações constantes dos dispositivos legais existentes, nomeadamente o Segredo de Justiça mas se calhar é assim mesmo: não há como controlar tais falhas; se calhar não somos diferentes de outras democracias europeias nestas cenas da Justiça. Que diabo, não vivemos sob o aperto de uma ditadura, portanto permitam-se-nos umas fugazinhas de informação para animar a malta. Era o que faltava, esconderem-nos tudo, ponto final, parágrafo, mudança de linha.

Também, aqui, a privacidade das pessoas pode ser devassada, não sei se dentro dos critérios mais justos, ou seja, dos limites legais, quem sabe? Qualquer dia a Policia Judiciária, com tanta indefinição, fica de mãos atadas, se é que não está já - digo eu...

 

O PGR vem a público afirmar que se depender dele, as escutas entre Sócrates e Armando Vara irão ser divulgadas "para isto acalmar" (se não tiverem sido já destruídas por ordem do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, como noticia o Jornal de Notícias). O homem está doido! São afirmações que se façam? Estamos no Burkina Fasso ou quê? Trata-se de uma teia tentacular de corrupção que envolve pessoas, ligadas ou não a instituições, então?!

O político Sócrates e outros políticos e companhia ilimitada,  não são sujeitos intocáveis. Como tal, o seu estatuto não lhes  garante imunidade, nem é  indissociável das leis que são aplicadas aos outros cidadãos..., pelo menos em teoria...

Ademais, a qualquer indivíduo que seja constituído arguido em processo judicial, assiste-lhe a presunção de inocência até à indiciação da prática de crime. É assim, ou estou a ver mal a coisa?

O senhor PGR não pode protelar casos desta natureza. Tem que os clarificar com a maior celeridade que lhe for possível e deixar de "lançar água na fervura", pois isso é esconder a cabeça na areia...

Será possível manter a nossa pobre democracia viável, com todo este desnorte?...



publicado por JoaoRatao às 12:11
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
"CHORA-SE DEMAIS E TRABALHA-SE DE MENOS..."

 

«Grande obra é moldar uma alma! Extraordinária obra é formar um carácter, um indivíduo - um corpo, uma inteligência e uma vontade - , como os precisa para ser grande este pobre País de Portugal!

 

Pobre e bem pobre! Ouve-se aí dizer a cada passo, nas ruas, nas associações, nas praças públicas, nos artigos dos jornais oposicionistas, porque para os outros isto vai sempre em mar de rosas, que Portugal está decadente, que nós caminhamos para o aniquilamento da nossa nacionalidade.

Tudo fala em desgraças. Vêem-se Jeremias demais por esse país chorando com saudades do antigo templo: mas notais, meus senhores que esses Jeremias choram sentados: chora-se de mais e trabalha-se de menos...

Uns atribuem a nossa decadência às crises políticas, outros ao avanço da ideia republicana, outros aos deputados, outros aos ministros, outros às influências árabes, para não irem mais longe buscar as influências célticas...

Eu também não sei qual é a causa; mas são as ideias que governam e dirigem os povos, e são os grandes homens quem tem as grandes ideias. E nós não temos homens; e não temos homens, porque os não formamos, porque não nos importaram nunca métodos de educação.

 

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

 

Tudo se tem reformado, menos aquilo que na realidade o devia ser primeiro - o homem.

Início de todas as reformas, era a ele que devia pensar-se em reformar primeiro, por meio duma sólida e completa educação, abrangendo o seu desenvolvimento físico, a sua formação moral e a sua cultura intelectual.»

 

Salazar, 1909

  

Fonte: revista "Política", II série: N.os 8 e 9 - 16 de Setembro a 15 de Outubro de 1972

 

Para quem desconhece o percurso político de Salazar - na generalidade, as gerações nascidas após Abril de 1974 -,  e em que medida  o "Estado Novo"  contribuiu para o nosso actual atraso em todos os domínios, este discurso parece revelar um carácter insatisfeito com o estado da Nação, uma personalidade inquieta, um espírito inconformado com a enfermidade social e política, abominando os "profetas da desgraça", apontando  o ónus da letargia aos saudosistas que não contribuíam para tirar o país do marasmo e, sobretudo,  enfatizando já aqui, a falta de uma política educativa, com todas as suas envolvências, pelos vistos o nosso calcanhar de Aquiles desde sempre. 

Discurso  enganador para os menos atentos ou desarticulados com a realidade dos factos: por ventura levá-los-á a interrogarem-se sobre os motivos que levaram um punhado de capitães, há 35 anos, a abdicarem da sua liberdade, na tentativa - por um feliz acaso, bem sucedida - de a devolver a todos nós...

 

Memórias de um moço "idealista" de Santa Comba Dão que,  por esse ano, não adivinhava como iria ser importante, no pior sentido, a sua permanência à frente dos destinos de Portugal, durante quase meio século...


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publicado por JoaoRatao às 19:05
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
ARTIGO DE *RUI ZINK

 

«A cultura da borla

 

O caso Face Oculta não é nada, comparado com o caso Face Culta. No Face Oculta o problema é um empresário ter distribuído dinheiro a rodos em troca de favores. No Face Culta, o problema é as empresas quererem favores sem distribuírem dinheiro nenhum. É que a cultura é a área na qual há cultura de não pagar - não atribuir um valor - a grande parte do trabalho que se faz. Idas a escolas "falar com jovens", apresentações de livros, debates, conferências, leituras críticas, é toda uma indústria que vive da vergonha do dinheiro, dos "conhecimentos", dos "contactos", das "amizades". E, na sua face mais sórdida, do "uma mão lava a outra", a sugestão ignóbil de que, se dermos uma borla hoje, pode ser que amanhã nos atirem um ossito. Sei do que falo, porque chapinho nesta área há quase trinta anos. E eu próprio já cravei artistas - pode-se lá viver sem ter cravado artistas! Mas é feio. Todos os anos, dezenas de escritores vão graciosamente a centenas de escolas. E, se nunca nos sentimos explorados pelos professores ou pelos alunos, o mesmo já não direi do Ministério, que devia ter uma verba para estas minudências. Das televisões nem se fala. Não há semana em que não chova um convite, o que é simpático, só que... Este é um caso de corrupção tão enraizada que ninguém dá por ele. E o pior é que não há nenhum Empresário Godinho a distribuir cheques! Se houvesse não estaria eu para aqui a jeremiar. Mas, não, como "a cultura não tem preço", e o artista é de "pensamentos elevados", nicles cacau, népia pilim, nanja verdum. Isto depois é contagioso: incautos comerciantes que não oferecem nem um cafezinho (55 cêntimos) estranham que um escritor não lhes dê um livro (14 euros). Para já não falar de primos, vizinhos, amigos, jornalistas. Entrementes, o polvo lá vai cantando e rindo, fazendo ao mesmo tempo de corruptor e de PJ: "Se continuas a recusar-te a dar-nos borlas, pá, garantimos-te o anonimato."»

 

*Escritor e professor

Fonte: jornal METRO de 11 de Novembro de 2009

 



publicado por JoaoRatao às 10:36
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
CUNHA RODRIGUES E O "FENÓMENO" DA CORRUPÇÃO...

 

O ex-Procurador-Geral da República, acaba de  classificar  o "fenómeno" da corrupção como uma crise das sociedades desenvolvidas. Ora, como a sociedade portuguesa é uma sociedade subdesenvolvida, não consigo entender como foi possível terem deixado as metástases desse "fenómeno" estenderem-se ao nosso país...



publicado por JoaoRatao às 16:42
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
FERNANDO NOBRE: UM HOMEM QUE SABE DO QUE FALA, AO CONTRÁRIO DE OUTROS DOUTORES QUE PULULAM POR AÍ...

 

Jornalista: «O governador do Banco de Portugal apelou, mais uma vez, à contenção salarial: no máximo 1,5 por cento de aumentos salariais, ou haverá mais desempregos...»

 

Fernando Nobre: «A contenção salarial apela a muito bom senso e a muita sensibilidade. Um e meio por cento, com certeza, mas tenhamos em conta que os salários mínimos no nosso país, na ordem dos 450 euros por mês, não permitem aos trabalhadores terem o mínimo de vida com dignidade. Por isso, se globalmente o aumento for esse, entendo que no seio das empresas tem de haver uma melhor distribuição da massa salarial, porque acho intolerável e impossível um salário mínimo de 450 euros...»

 

J: «Defendeu o aumento do salário mínimo...»

 

FN: «...Tem que haver limites aceitáveis, sendo o mesmo válido para as reformas. Contenção sim, mas tenhamos em conta que nos pobres, nos mais desfavorecidos, os salários mínimos são francamente insuficientes e os patrões vão ter que entender que se há contenção, ela deve vir de cima para baixo e não o contrário. Essa é a minha percepção.»

 

J: «Sente que os patrões estão sensibilizados para esse problema?»

 

FN: «Se não estão, vão ter que estar. Daí a sociedade civil ser importante e algo está a mudar no paradigma. Está a ver que no terceiro congresso nacional de economistas eles fizeram questão de ouvir e...,houve um painel sobre a Sociedade Civil, em que esteve Soromenho Matos a Isabel Jonet e eu próprio e acho que foi essa mensagem que foi passada: é bom que haja mais sensibilidade para que o clima social não venha a piorar ainda mais.»

 

J: «Também disse que a taxa de pobreza em Portugal, neste momento, ronda cerca de 40 por cento. Isso é um número assustador!...»

 

FN: «Quando  falamos de pobreza no país, é evidente que citamos os números oficiais de 18 por cento. Esquecemos de acrescentar a essa massa pobre, todos aqueles que não entram nas estatísticas porque sobrevivem, mercê de uma série de subsídios que o Estado, e muito bem..., e parabéns ao ministro Vieira da Silva que vai agora para a economia.

...Se nós acrescentarmos o Rendimento Mínimo de Inserção, o Complemento Solidário para os Idosos, os subsídios para invalidez e uma série de outros subsídios, se acrescentarmos essa massa humana aos 18 por cento dos nossos pobres, efectivamente, estruturalmente, o nosso país tem uma pobreza na ordem dos 40 por cento ou mais, até.  Acho que não é saudável para a paz social. É espantoso, talvez porque sejamos um país de "brandos costumes", que as explosões sociais não estejam a ocorrer actualmente. Agora temos é que ser preventivos. E aí, falo enquanto médico, não basta ser correctivo, temos que ser preventivos,  a prevenção passa por uma maior sensibilidade social. Particularmente os patrões devem ter espírito de cidadania. Cito um exemplo: não se pode passar de uma empresa pública para outra, chegar lá, despedir 500 trabalhadores e duplicar o salário desses senhores. Isso não é sensato! Vai ter que haver equidade...

Portugal vai ser o país que menos vai crescer no espaço da OCDE e por isso o fosso entre nós e os países mais desenvolvidos desse espaço, vai-se alargar. Por isso vamos ter que ter muita sensibilidade e vamos ter que nos unir todos: governo, empresários, cidadania organizada para que, enfim, a panela de pressão que está entre nós, não chegue a níveis intoleráveis.»

 

J: «Outro número preocupante é o do desemprego, e ontem ficou a saber-se que há, actualmente, quinhentos e dez mil desempregados em Portugal.»

 

FN: «É verdade e mais uma vez, tenho que ser politicamente incorrecto: esse número peca por defeito. Não corresponde à realidade porque, infelizmente para Portugal, estamos numa nova onda emigratória. Os bem informados sabem que, por 15 imigrantes que entram em Portugal, há 100 que saem. Sabe-se que estamos a perder, em média, mais de 100 licenciados por mês. Todos nós sabemos que a OCDE coloca-nos como o país que tem mais fuga de cérebros e isso é muito mau para nós. É toda essa temática, enfim, acho que o ministro Vieira da Silva tentou combater, entendo que a nova ministra vai continuar a implementar, como sindicalista que é, com alguma sensibilidade que tem que ter, porque nós estamos nessa encruzilhada e  não é saudável para o país, termos tantos jovens licenciados, sendo  dos países com menor proporção de licenciados no espaço da União Europeia. Não é saudável que tenhamos mais do que 100 jovens licenciados a fugirem do país todos os meses, porque isso representa uma perda de massa cinzenta  grave. Acho que Portugal não se pode dar a esse luxo...

 

...Espero que este novo governo tenha força, vontade e também seja, enfim, sustentado por todos aqueles que entendam que temos que estabelecer causas verdadeiramente nacionais, sendo a primeira, para mim, o combate à pobreza que é a grande vergonha do nosso país!»



publicado por JoaoRatao às 21:02
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
CHICO VAN ZELLER CONTINUA A FALAR...

 

Quando é que este homenzinho aprende a medir as palavras? Os media são um bom veículo para gajos deste quilate lançarem farpas sobre uma sociedade doente, carenciada de justiça e paz, onde os seus pares deixaram de se preocupar com o bem estar dos trabalhadores que afinal são a base da sustentabilidade do seu negócio. 

Defendem, com escandalosa  desfaçatez, salários de fome para manter a competitividade das suas empresas. Este tipo de filosofia só encontra paralelo em países do Terceiro Mundo.

Estarei equivocado ou Portugal nunca passou disso mesmo: um país com vocação terceiro-mundista?...

 

Como dirigente dos industriais portugueses,  cabia-lhe a obrigação de não abrir mais o bico, por respeito para com os milhares de famílias na situação de desemprego...

  

A propósito da nomeação de Helena André, sindicalista ligada à UGT, para Ministra do Trabalho...



publicado por JoaoRatao às 17:04
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
CAIM...

 

Consta no livro do Génesis: Caim foi o fruto, primogénito, da cópula havida entre um hominídeo chamado Adão com uma fêmea da sua espécie chamada Eva, a qual, também está escrito, teria sido modelada a partir de uma costela do homem criado por "Deus"...

 

Enfim..., passados os anos, Caim, ruído de inveja pelo facto de "Deus" ter preterido os seus sacrifícios em favor dos de outro seu irmão, Abel, talvez qualitativamente mais valiosos aos olhos do "criador", não esteve com meias medidas e à primeira oportunidade matou o mano. Poder-se-ia imaginar, isto sempre no domínio da ficção,  qual poderia ter sido, o sacrifício imposto por "Deus" a Abel: deixar-se matar por um dos seus irmãos, estaria programado nos desígnios do "Senhor"?...

Com este episódio bíblico, Caim ficou assim conhecido como o primeiro fraticida da história da humanidade, blá, blá, blá, por aí adiante.

 

 

Depois deste livre e curto introito, vamos à polémica em torno do último romance de José Saramago: não vejo razão para tanto sururu em torno de "Caim". Não me parece que seja um ensaio teológico nem descurtino qualquer tipo de vingança contra o dogma religioso. Continuamos, isso sim, presos ao domínio da pura ficção em que o Prémio Nobel, uma vez mais, demonstra a sua fabulosa sagacidade e dinâmica narrativa. Pelo que já li,  sugiro que se extraia deste romance um belo guião para cinema...

 

Podemos especular sobre a razão ou as razões que levam o autor a  escrever romances envolvendo figuras biblicas. Lembremo-nos da polémica surgida após a publicação do "Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1991, outro romance que lhe valeu o veto  governamental na candidatura a um prémio literário europeu, pela caneta inquisitorial de um homúnculo chamado Sousa Lara, Subsecretário de Estado da Cultura à altura. «A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os» - afirmava, então, aquele insípido subsecretário. Dezoito anos depois, a história repete-se com "Caim" e com as declarações acutilantes do escritor sobre o "Livro Sagrado", com alguns católicos mais alvoraçados a quererem queimar Saramago na "santa fogueira", desejando-lhe uma morte horrenda e a descida sumária aos infernos, sem paragem no purgatório.

Estou convencido que o escritor não escolheu escrevê-los por ter "assuntos mal resolvidos com Deus" ou qualquer outro tipo de conflitualidade existencial, como pretendem alguns. Escreveu-os, quanto a mim, porque é preciso mexer com o conceito de divindade, tão arreigado na nossa tacanhez cultural, em que não nos é permitido questionar a sua veracidade, sob pena de sermos "excomungados".

Assim, tais valores têm-nos coarctado, século após século, a liberdade de pensamento e, naturalmente, o consequente  atrofio secular imposto por "Deus" através dos seus representantes na Terra, e a razão conformista para deixar tudo nas "Suas" mãos quando tudo corre mal...

 

 

Alguém dizia que o ideal seria guardarmos as nossas convicções só para nós, mas isso seria o princípio do fim da discussão. Como não as podemos guardar, estaremos sempre em desacordo. Agora, entre não concordar mas respeitar, e tentar impô-las,  manipulando as consciências, é desonesto e só possível num país subdesenvolvido...



publicado por JoaoRatao às 17:59
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Sábado, 10 de Outubro de 2009
KADHAFI: TERRORISTA PROMOVIDO A ESTADISTA...

 

Um dos maiores terroristas de sempre, à solta - Kadhafi para quem está esquecido - , passeou-se pelas Nações Unidas, vomitando impropérios contra tudo e contra todos. Só faltou ter limpo o cu à Carta da ONU, em directo...

«Não deveria chamar-se um Conselho de Segurança, mas um Conselho de Terror» - assim verberava o terrorista, há tempos, promovido pela hipocrisia internacional a figura com direito a honras de Chefe de Estado, perante uma Assembleia Geral - presumo - convenientemente mouca...

Certo é, no meu entendimento, que a criação da ONU foi uma ideia infeliz de alguém ou de uns quantos idealistas. Esta organização nunca deveria ter existido ou então seria criada, tendo como sigla: OND, pois de unidas, as Nações que fazem parte do seu conjunto, nada têm...

Certamente, este terrorista e outros do seu gabarito, terão sempre um lugarzinho na Assembleia Geral da Organização das Nações (Des)unidas, com "tempo de antena" ilimitado, para botar discursos. Assim os interesses mais obscuros deste malfadado mundo façam valer os seus ditames...


sinto-me:

publicado por JoaoRatao às 14:38
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
CAVACO VERSUS SÓCRATES...

 

Se antes da polémica das escutas telefónicas e da suposta 'vulnerabilidade' do sistema informático da Presidência da República, a relação já andava azeda entre o 'casal', o comunicado insólito do PR, após as legislativas, veio lançar mais achas para a fogueira. A partir da nova legislatura, que se avizinha, não vão faltar ensejos para espetarem mais e dolosas 'facadinhas no matrimónio'. Com tricas e polémicas desta natureza, envolvendo órgãos de soberania, rotina a que já nos acostumámos, Portugal vai continuar a ser um país adiado. Mais não sei quantos anos de angustia colectiva, e outros tantos, sabe-se lá, de faz que faz, mas não faz, e a malta já sem espaço no cinto para fazer mais buracos.

Alguém, muito próximo, disse-me que ia votar, utilmente,  no PS por não vislumbrar alternativa a este governo capaz de fazer frente à tal crise que veio de fora. Como se tivesse varrido da memória a nossa: crise endémica que nos persegue há gerações. É este o perfil da gente que teima em votar na mediocridade e na manutenção da paz podre...

É claro que o  facto de termos tido, quase sempre, governantes  tão maus, se deve, em minha opinião, a uma causa simples: a raiz matricial nunca foi de boa qualidade. Já tive oportunidade de o referir num outro artigo...

Às pessoas da minha geração e outras a seguir, que viveram o sonho do 25 de Abril, que acreditaram num país mais justo para todos, ainda lhes resta uma nesga de esperança na presunção  de que os novos tragam um novo fôlego a Portugal. Não  sinto o mesmo optimismo, pois não lhes estão a dar oportunidades, por muito que a canalha tente contradizer essa realidade, com slogans propagandisticos. Pelo contrário, negam-lhes a possibilidade de mudar isto para melhor, recusando-lhes trabalho de acordo com as suas qualificações, as suas competências, relegando-os para a precariedade, a exploração, o emprego mal remunerado: uma nova forma de escravatura...

Já era tempo de deixarem de sobrar as tripas, sempre para os mesmos. Esta vilanagem que nos tem desgovernado há décadas,  também devia começar a comê-las...



publicado por JoaoRatao às 20:43
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